quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Quinta do Textículo #04

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


"Pedem-me que eu tenha a delicadeza de fumar lá fora. Pode ser que eu a tenha. Tudo porque o estabelecimento não permite ou porque a Lei não tolera.

Os dois. Tenho um maço de cigarro em mãos e muita delicadeza.

Se fosse pelas contas da Lei, eu pararia de fumar neste instante. Abafaria a brasa no cinzeiro e teria uma expressão descontente no rosto.

Pode ser que eu me reencontre com uma paixão antiga. Que horror seria o meu sorriso amarelado! Tenho a gentileza que nenhum rapaz novo teria.

Quem devia ser intolerante com o fumo, não vê descaso: tolera. Quem deveria ser delicado, não o faz. Porque oras, a Lei não é única, e o respeito está acima da delicadeza. Além do mais, o estabelecimento não permite.

Se o estabelecimento não permite. Pede-se - com a cautela de que os outros clientes não percebam - ao garçom traga a conta. Tenha uma boa noite. Não serei cortez. Serei respeituoso. Além do mais, pode ser que eu morra daqui a um dia. Este é meu último cigarro da noite.


Pedro Marlboro."

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